quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A raposa e o espinho


Me pediram pra escrever
Sobre minha perigosa aventura
Peço por favor que não riem
Dessa pobre criatura
Que pouco saber rimar
Mas que da morte conseguiu escapar
Sem perder a compostura.

Já lutei com um leão
O maior dos animais
Na serra dos braunais
Peguei cascavel de mão
Não conheço situação
Que não tenha o seu fim
Sou forte como marfim
Sempre estou preparado
Por isso tenha cuidado
Ao me chamar de minimim

Na sexta-feira à noite
De andar estava cansado
Bebemos Martini, vinho e cerveja
No sábado acordei lascado
E lá vem Renato com sua voz rouca:
-Fábio, vamos pra pedra da Boca!
Meu destino estava traçado.

Coloquei a minha bota
E fui subir no embalo
Andando um pouco senti
Meu pé cheio de calo
Entreguei a bota a Di Luiz
Que cansado e infeliz
Relinchava feito cavalo.


Eu, Bruno, Renato e Bozo
Carniçais sem frescura
Subimos a pedra
Sem água nem rapadura
Renato, o rei. Bozo, a rainha
Bruno esboçava uma risadinha
Com enorme doçura.
(itzi tzitiziztzzz)


Chegamos enfim ao topo
Um lugar sem igual
Uma paisagem majestosa
De esplendor natural
Fotografia tiramos
Na memória registramos
Esta experiência vital.

Passado um pouco de tempo
Com a sede a apertar
E o sol sem perdoar
Veio a idéia de Girico:
-Vou voltar para o seu Tico!
Para a sede saciar.

Pus-me a descer as pedras
Desci sem freio e na contramão
Como ônibus sem motorista
Entrando errado, molecão
Usando os pés, e não a cuca
Fui caindo na arapuca
Desse destino brincalhão

Peguei o caminho errado
E não tinha mais como voltar
Não tinha ninguém por mim
Adiantava nem rezar
Gritei então por ajuda
Mas minha voz é aguda
Era difícil escutar.

Fui para uma pedra alta
Enchi os pulmões e gritei
Sem esperança de resposta
Foi ai que escutei
Um belo: VAI TOMAR NO CU
Ignorado, ferido e seminu
Os meus amigos eu praguejei.

Tentei mais uma vez
A atenção dos meus amigos chamar
Novamente me dizem
Para no cu eu tomar
Ajuda não vou mais pedir
Meu orgulho não mais vou ferir
A solução é me virar.

Com atenção e cuidado
Comecei a procurar um caminho
Morto de sede eu só pensava
Numa garrafa de vinho
De suor estava molhado
Fedorento e todo lascado
Era uma vez o pobre Binho.

Continuei andando
Caminhando com destreza
Para não escorregar e cair
Eu pisava com firmeza
Nessas horas percebemos
O quão somos pequenos
Diante da mãe natureza.

No decorrer da aventura
Haviam obstáculos mesquinhos
Uns miúdos
Outros grandinhos
Vi uma planta verde-limão
Percebi de antemão
Que a danada tinha espinhos.

Com um receio medonho
De numa pedra escorregar
A única solução
Era na planta agarrar
Tentei despistar a dor
E ignorando o calor
Comecei a escalar

Com ajuda das plantas
Pedra por pedra fui subindo
Até que achei uma trilha
E da morte fui despedindo
Encontrei o caminho certo
Dessa vez fui esperto
A esperança foi se abrindo.

Andei ainda um bucado
Até finalmente descer
Fui em direção do seu Tico
Para da água beber
Cheguei numa situação
De partir o coração
Só vendo pra crer.

Meus amigos quando me viram
Perguntavam a todo instante
Será do Haiti
Que provém esse imigrante?
Veio ele do Egito
Do inferno foi proscrito
Ou vem de uma terra distante?

Olhei bem para eles
A preocupação era evidente
Alguns até riram
Dessa figura deprimente
Viram sangue, dor, cicatriz
Da morte escapei por um triz
Nunca mais serei imprudente.

Se dar bem não é certeza
Mas é bom acreditar
O outro dia que temos
Poderá nos transformar
De certo temos a morte
Que tanto faz fraco ou forte
Ela não teme em levar.

Termino aqui minha história
Em versos para registrar
Uma experiência incrível
Que o tempo não vai apagar
Recebi do meu bando selvagem
Uma honrosa homenagem
Que pra sempre vou levar.



Fábio Farias.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Formigas



Foram necessários quarenta milhões de anos, para que o macaco se transformasse no homem-macaco. Mais trezentos mil anos o levou para aprender a andar de cabeça erguida e para matar sua presa com instrumentos de pedra. Cinquenta mil anos mais tarde, descobriram por acaso o cobre, ficando assim habilitado a produzir armas mais eficientes. Dois mil anos depois disto, descobriu o ferro, e seus métodos de matar tornaram-se ainda mais engenhosos. Cinco mil anos depois da descoberta do ferro, o homem inventou a dinamite, e muitos séculos mais tarde construiu o primeiro submarino e o primeiro aeroplano. Sua arte de matar outras criaturas tornou-se então quase perfeita. Daqui a outros cinqüenta mil anos, talvez seu cérebro idiota comece a compreender a verdade tão evidente, que a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Matar é um processo involutivo, é a não projeção de si mesmo em todas as criaturas.

-O homem é uma criatura estúpida e o seu progresso tem sido muito lento.


Para piorar, este progresso não tem sido continuo. Frequentemente retrocede de um plano mais elevado para um inferior. Há mais de vinte séculos, os gregos eram bem mais civilizados que a grande maioria da população atual, há dezenove séculos passados, Roma possuía um excelente serviço de esgoto. A corrente do progresso humano não é só vagarosa, como também é muitas vezes desviada pela ignorância da espécie humana em direção oposta a do progresso. Além desses, vale salientar que existe um terceiro fator muito importante: o de que o homem é um animal muito preguiçoso. Raramente toma iniciativa, salvo quando algum perigo ameaçador, como uma catástrofe social ou intima, o obriga a escolher entre o progresso, de um lado, e a morte ou fracasso, de outro.

Nossos antepassados que viveram dez mil anos antes da era Cristã, já possuíam conhecimentos regulares de arte, culinária, cerâmica, tecelagem, etc. Tinham aprendido a domesticar cães, gado, cabras, carneiros e porcos, atingindo assim pelo menos o nível de inteligência de uma formiga. Assim como seu primo humano, foi descoberto que a formiga cultiva a arte de domesticar os animais inferiores. Ela conduz ao pasto suas vacas, na forma de pequenos insetos que segregam um liquido semelhante ao leite, ordenha-os alisando-lhes as costas, para abrigá-los, leva-os aos estábulos, construídos com pedaços de grama minúsculos e pequenos fios de seda, da mesma forma que o pastor conduzia seu gado para os estábulos primitivos.

Voltando a infância da raça humana, a Historia nos põem em evidencia que a volúpia da conquista tem sido a perdição de todas as nações militaristas do mundo. Sumerianos ,Acadianos, babilônios, Assírios, Egípcios, Caldeus, etc.; numerosas raças que apareceram na historia, conseguiram por um momento uma fama transitória, e, depois desapareceram pela sua excessiva confiança nas armas. A Historia nos mostra que praticamente todas as nações agressivas acabaram por se matar a si própria, juntamente com os seus inimigos.

Infelizmente o homem ainda se mostra um aluno terrivelmente atrasado na escola da vida. E um progresso real não começara enquanto a guerra e o espírito megalomaníaco não forem abolidos ou substituídos por um valor maior que nos guie, finalmente, ao verdadeiro progresso.

domingo, 25 de outubro de 2009


Mulheres querem que acreditemos que elas são vítimas e que partimos seus corações por diversão. Elas dizem que querem amor verdadeiro, mas só querem mesmo uma lista!
'É perfeito? É bonitão? É popular?'. Se vc preenxe os critérios, não se iluda, pois não estão domindo com você, e sim com uma lista cuidadosamente calculada. Dinheiro mais que caráter, beleza acima de alma, cavalheirismo mais que princípios. Nenhum gesto, por mais real ou romântico, vale mais que uma lista de credenciais. Uma garota afim de dois caras, sempre escolherá o de melhor currículo.

sábado, 1 de agosto de 2009

A casa

Eu moro no seu mundo

Moro onde não posso entrar

Minha casa já tem dono

Em minha cama não posso deitar

Meu quarto está fechado

E a chave não se faz achar

Eu vivo na contramão

Estou onde não há lugar

É fácil me encontrar

No assento de um teatro

Na nostalgia de uma música

Ou comendo pão no mesmo prato

Minha vizinhança não tem vizinhos

Só eu moro no abstrato

Sinto saudades de onde eu moro

Onde para adentrar

Só com ajuda de mandato

Já não sei o que fazer

Ou como provar merecer

Denovo entrar em meu lar

Já cansado de escrever

Meu corpo começa a tremer

Eu quero me mudar...