Eu moro no seu mundo
Moro onde não posso entrar
Minha casa já tem dono
Em minha cama não posso deitar
Meu quarto está fechado
E a chave não se faz achar
Eu vivo na contramão
Estou onde não há lugar
É fácil me encontrar
No assento de um teatro
Na nostalgia de uma música
Ou comendo pão no mesmo prato
Minha vizinhança não tem vizinhos
Só eu moro no abstrato
Sinto saudades de onde eu moro
Onde para adentrar
Só com ajuda de mandato
Já não sei o que fazer
Ou como provar merecer
Denovo entrar em meu lar
Já cansado de escrever
Meu corpo começa a tremer
Eu quero me mudar...
